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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Forças desarmadas....


Os estudos de temas dessa natureza realizados no Brasil refletem ideias de renomados estrategistas europeus, norte-americanos e asiáticos quanto aos impactos no jogo entre as grandes potências, mas não apontam possíveis consequências no campo militar, para o Brasil, restringindo-se aos reflexos nas expressões política e econômica. O desfecho dos movimentos no mundo islâmico terá consequências, cujo significado para a defesa nacional dependerá do saldo ou do déficit de poder dos EUA naquela região.
O quadro atual dos conflitos no mundo revela a volta da onda, que emergiu da II Guerra Mundial e levou os EUA à hegemonia global. Ela começa a recuar pressionada por novos atores poderosos, alguns deles velada ou ostensivamente antagônicos aos EUA e com os quais este último terá de compartilhar espaços e poder.
Ao final da primeira década do século XXI, ficou evidente que os EUA já não podiam impor a um custo suportável, isolada e rapidamente seus interesses em todo mundo, condição que desfrutaram por duas décadas após a queda da União Soviética. Os EUA também encontram dificuldade crescente para empregar a OTAN em ações globais, seja pela falta de consenso quanto às ameaças seja pela impossibilidade econômica de seus aliados sustentarem operações militares distantes e de grande envergadura.
Há, ainda, a ascensão da China e sua projeção em todos os continentes, limitando progressivamente a liberdade de ação da outrora potência hegemônica. Portanto, a capacidade político-militar norte-americana de assegurar o acesso a regiões com relevante posição geoestratégica e detentoras de recursos vitais, situadas “do lado de lá do mundo”, como o Oriente Médio, a África e a Ásia Central, vai sendo reduzida.
Assim, aumentará a necessidade dos EUA garantirem o acesso a regiões “do lado de cá do mundo” com aqueles atrativos, leia-se América do Sul e Atlântico Sul, para o que empregarão seu poder militar se for preciso. Ao mesmo tempo, interessa-lhes limitar a projeção e influência de potências extra-regionais que possam tolher sua liberdade de ação nas áreas mencionadas.
Hoje, espaços dessas regiões de tradicional influência norte-americana já estão sendo disputados pela China e, em sua esteira, virão a Rússia e a Índia. Como reagirão os EUA, altamente dependentes de recursos naturais, ante a presença de poderosos rivais cada vez mais próximos de seu território, experiência vivida apenas em 1962 na crise dos mísseis da então URSS em Cuba?
O mundo não é o mesmo e as estratégias não serão as mesmas, mas os EUA não ficarão de braços cruzados. Em sua expansão, a China ocupa espaços também cobiçados pelo Brasil, inclusive em áreas da cooperação militar, pois nossa indigência bélica, fruto do descaso de sucessivos governos, não nos deixa muito a oferecer. Perdem-se excelentes oportunidades para gerar empregos, receita comercial e desenvolvimento industrial e científico-tecnológico e consolidar vínculos com a América do Sul e a África.
Entre a águia e o dragão está o Brasil com sua aspiração pela liderança regional e seus interesses no Atlântico Sul. A disputa de poder no entorno estratégico brasileiro deveria ter motivado providências, há muito tempo, antes de o cenário de risco estar delineado de maneira tão clara. Política exterior engloba diplomacia e defesa e estes setores do Estado não podem esperar uma ameaça passar de possível a provável para então buscar os meios de neutralizá-la.
Defesa não se improvisa! Um forte poder militar confere maior robustez à política exterior, atrai alianças, dissuade ameaças e desagrava afrontas. Para alcançar tal status o governo deveria ter vontade política de queimar etapas, priorizando e fixando o investimento em defesa, e coragem para enfrentar desafios.
O Brasil amargará a perda de oportunidades e patrimônio, no campo material, e de auto-estima e dignidade, no imaterial, pois será incapaz de reagir a pressões político-militares alienígenas, se não estiver no nível das maiores potências militares no lapso de uma década. A globalização, o desenvolvimento nacional e a projeção internacional colocaram o País, outrora periférico, no eixo dos conflitos entre as potências.
As Forças Armadas (FA) procuraram, em vão, sensibilizar a liderança nacional sobre a importância de fortalecer o poder militar. A resposta foi o descaso hoje camuflado por um discurso inconsequente, pois de prático pouco se faz, e tardio, pela incerteza quanto à possibilidade de recuperar o tempo perdido.
Em 2011, mais uma vez, postergou-se a aquisição de aviões de caça para a Força Aérea, que se arrasta há mais de uma década, e houve um forte contingenciamento no orçamento de defesa, com prejuízo do desenvolvimento do submarino nuclear e de projetos do Exército.
A relevância das FA para a liderança nacional resume-se a missões de paz, apoio às obras do PAC e participação na segurança pública e defesa civil, ou seja, no que é marketing para o governo. Há um descaso com o equipamento e o preparo para a defesa da Pátria, prioridade, razão de ser e identidade de qualquer força armada.
Mas o descaso é também com a profissão e o militar como mostra a crescente defasagem salarial que rebaixa a carreira das armas em relação a outras de Estado e do serviço público. O chefe militar manifesta essas preocupações pela cadeia de comando, como é sua obrigação.
À presidente da República, comandante supremo das FA, cabe preservar a relevância dessas Instituições, obrigação moral e funcional de quem sabe que elas não abrem mão do compromisso com a Nação, o dever e a disciplina e que os instrumentos de pressão de outros segmentos da sociedade são inadmissíveis nas Forças Armadas.

Um levantamento reservado com uma detalhada radiografia das Forças Armadas brasileiras mostra o sucateamento do equipamento militar do país. Explicita também as conhecidas distorções na distribuição de tropas no território nacional, confrontando o discurso oficial de que a Amazônia é uma prioridade. O estudo ao qual a Folha teve acesso é produzido pelo Ministério da Defesa e atualizado todo mês. Ele mostra que metade dos principais armamentos do país, como blindados, aviões e navios, está indisponível para uso.

O levantamento é usado provisoriamente pelo governo, enquanto não é elaborado o chamado “Livro Branco”, que trará, segundo decreto assinado neste ano, todo esse diagnóstico. O livreto obtido pela Folha tem 76 páginas e traz dados orçamentários, operacionais e de pessoal que são difíceis de encontrar com esse grau de detalhe.
Quando alguém precisa elaborar comparações com outros países, como fez a Folha em sua edição de 20 de fevereiro, a praxe é buscar fontes externas -confiáveis, mas não tão detalhadas. O documento usado nesta reportagem traz um inventário dos chamados meios de cada Força, ou seja, os principais equipamentos para uso em guerra.
O resultado dá argumentos aos defensores do reequipamento militar, um processo caro, demorado e que costuma esbarrar em obstáculos como pressões políticas.
O caso da Marinha é paradoxal. Especialistas consideram a Força a mais bem aparelhada, mas 132 dos seus 318 principais equipamentos estão parados. Metade dos 98 navios está no estaleiro. A aviação naval é figurativa: apenas 2 de seus 23 caças voam, e só para treino. Isso no fim de 2010 -hoje, só um funciona. O porta-aviões São Paulo ficou anos parado e agora está em testes.
DEFICIÊNCIA CRÔNICA
O Exército contribui para que o resultado geral de disponibilidade de meios atinja ilusórios 68% -isso porque a Defesa coloca na conta as “viaturas sobre rodas”, que basicamente são quaisquer veículos. Dessas, 5.318 das 6.982 estão funcionando. Dos 1.953 blindados do Exército, só metade está à disposição. Metade dos helicópteros está no chão, isso sem contar a deficiência crônica de defesa Aérea, maior fragilidade militar do país.
Por fim, a Força Aérea tem indisponíveis 357 dos seus 789 meios, que incluem 48 lançadores portáteis de mísseis, todos funcionando. O governo avalia ter 85 dos seus 208 caças disponíveis, o que parece algo otimista. Seja como for, a renovação da frota de combate, unificada em um modelo, está postergada novamente por causa de cortes orçamentários.
Fica também explícito um problema que a Estratégia Nacional de Defesa editada em 2008 promete combater. Na Estratégia, a Amazônia aparece como prioridade do Exército. Só que a disposição das tropas ainda reflete a ideia de que o país um dia poderia entrar em guerra com sua antiga rival, a Argentina, hoje longe de representar uma ameaça militar. A região Sul concentra 25% das Forças terrestres do Brasil, enquanto a área amazônica só tem 13% do efetivo. Outros 23% estão estacionados na área do Comando Militar do Leste, no Rio.
A concentração no Rio também é perceptível no poderio aéreo. Nada menos que um terço do efetivo da FAB está por lá, enquanto a enorme região Norte não soma 15% com dois comandos aéreos separados.
A Marinha também está baseada no Rio, de forma avassaladora: 71% do efetivo está lá. Há planos para criação de uma segunda esquadra no Nordeste e no Norte.
Essa concentração no Rio é uma herança dos tempos em que a cidade centralizava o poder no país.
ASSIMETRIA

A Estratégia critica essa assimetria na disposição geográfica das tropas, mas a mudança depende de vontade política e de recursos cuja justificativa sempre é difícil num país de tradição pacífica e cheio de problemas sociais.

Por fim, o mapa lembra também detalhes do comprometimento financeiro. Em outubro de 2010, o governo gastou quase igualmente com pessoal ativo, aposentados e pensionistas, somando uma folha salarial de R$ 2,9 bilhões naquele mês. No Orçamento de 2011, antes do corte anunciado recentemente pelo governo, a despesa com pessoal representava 72% do gasto total.
Ainda sobre pessoal, destaca-se a alta proporção de oficiais-generais. Há um deles para cada 971 homens. No mais poderoso exército do mundo, o americano, esse número salta para um para cada 1.400 soldados.

ANÁLISE DEFESA: Despreparo militar marca história do país


Num mundo de comunicação rápida, onde conflitos surgem a toda hora, falta de prontidão é receita de fracasso

Despreparo crônico em tempo de paz e, portanto, no começo de conflitos, é uma constante na história militar luso-brasileira. Por que seria diferente em pleno século 21? No passado, houve tempo para as Forças Armadas “pegarem no tranco” e terminarem bem-sucedidas em combate. Mas em um mundo de comunicações rápidas, de mísseis balísticos, de guerra eletrônica, essa tradicional demora na prontidão é uma receita perfeita para o fracasso.
Uma rara exceção no despreparo das Forças são as chamadas tropas de “pronto emprego” ou “ação rápida”. São núcleos de excelência que podem agir em emergências pontuais, como a aviação do Exército, os paraquedistas, os fuzileiros navais, os batalhões de selva. Um bom exemplo foi a rápida e eficiente reação em 1991, após guerrilheiros colombianos atacarem um posto de fronteira no rio Traíra e matarem três militares.
Em 1711, o francês René Duguay-Trouin tomou o Rio de Janeiro em ousado golpe. A cidade estava despreparada. Reforços vieram do interior -rapidamente, para os padrões da época-, mas já era tarde demais. Em 1808, os franceses tomam Portugal e a família real foge para o Brasil -mas o comboio precisou de escolta da Marinha britânica. Na guerra com a Argentina pela província Cisplatina (Uruguai), de 1825 a 1828, o Brasil começou colhendo fracassos, até se afirmar -principalmente no mar- e terminar o conflito em “empate”.
O exército paraguaio estava mais preparado que o brasileiro e até invadiu território do país na Guerra da Tríplice Aliança (1865-1870). A falta de preparo inicial levou a cinco anos de guerra. Em 1897 em Canudos, Bahia, o Exército também sofreu derrotas para os “jagunços” do líder religioso Antonio Conselheiro e mostrou sérias falhas de logística. Não havia tropas bem treinadas e equipadas para participar da Primeira Guerra Mundial (1914-1918); a Revolução Constitucionalista de 1932 foi uma série de improvisos do início ao fim pelos dois lados.
O Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) em agosto de 1942, mas só em julho de 1944 a Força Expedicionária Brasileira desembarcou na Itália -e, mesmo assim, era apenas uma das três divisões de infantaria inicialmente planejadas, e seu armamento era todo de origem americana.
As Forças Armadas do país têm operado bem em missões de paz ou na recente ajuda à polícia do Rio. Mas, como demonstrou o terremoto no Haiti, foi a rápida intervenção dos EUA que evitou uma tragédia ainda maior
Mesmo com tantas controvercias A confiança da população nas instituições sofreu mudança importante no último trimestre. É o que revela pesquisa do Índice de Confiança na Justiça (ICJ Brasil), produzido pela Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo (FGV-SP). As Forças Armadas ficaram em primeiro lugar, com 66% da preferência dos entrevistados. Em segundo, apareceu a Igreja, com 54%, seguida pelas emissoras de TV (44%).
O Judiciário ficou em situação desconfortável, empatado com a polícia e à frente apenas do Congresso e dos partidos políticos.
Para Luciana Gross Cunha, professora da Escola de Direito da FGV-SP e coordenadora do ICJ Brasil, a controvérsia sobre o aborto travada entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais pesou decisivamente para o aumento do índice de confiança na Igreja, que subiu do 7º para o 2º lugar. “A Igreja estava em um grau baixo de avaliação quando foi feita a apuração no segundo trimestre, muito perto da crise envolvendo a instituição com denúncias de pedofilia”, observa Luciana. “A última fase da coleta coincidiu com a discussão sobre o aborto nas eleições presidenciais. Isso fez a diferença.”
Já a confiança nos partidos políticos despencou de 21% para 8% no mesmo período de eleições, mantendo-se em última posição na escala. Apenas 33% disseram que o Judiciário é confiável. O Congresso ficou com 20%. As outras instituições obtiveram os seguintes resultados: Grandes Empresas (44%), governo federal (41%), emissoras de TV (44%) e imprensa escrita (41%).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Lá fora tem crise e aqui ???....


Atualmente a União Européia esta enfrentando o seu grande teste de resistência para a manutenção da unidade política e econômica. O sonho de integração européia vem desde a década de 50 quando da criação da Comunidade Européia do Carvão e do Aço, naquele contexto a região enfrentava o desafio da reconstrução do pos guerra. 

A União Européia (27 Estados-membros)  representa o principal bloco de integração mundial. Em 1999  foi criada a Zona do Euro, composta  por 17 Estados-membros que adotaram oficialmente o Euro como moeda comum.  A instabilidade econômica na Zona do Euro explodiu devido ao endividamento dos países chamados de PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha).

A população de países endividados sofrendo as dificuldades da recessão, protagonizado pela Grécia, vem apontando como causadores da crise a ganância dos países ricos do bloco particularmente a Alemanha. Para complicar o cenário de integração, os movimentos sociais acusam as novas rodadas de renegociação de dividas de estarem beneficiando apenas os mercados, em detrimento dos aspectos sociais.
O certo è que a calmaria na Europa somente terá inicio quando da recuperação econômica da região que segundo alguns analistas não acontecerá nos próximos três ou quatro anos.
Embora existam variações na evolução económica, social e político por toda a Europa, nenhum país escapou dos efeitos da pior crise económica desde a Grande Depressão da década de 1930. O Comité Executivo Internacional do CIT debateu e analisou as consequências da situação para a classe operária e demais trabalhadores e da luta para defender as condições de vida face às tentativas de fazer os trabalhadores e jovens pagarem o preço da crise.
Na sua introdução ao debate, Tony Saunois, Secretário Internacional do CIT, descreveu as sombrias perspectivas económicas para a região. As perspectivas de recuperação económica no curto prazo são anémicas, na melhor das hipóteses, em alguns países, e estão completamente postas de parte noutros.
Sempre que alguns governos alegam “recuperação” esta nunca é no sentido de um regresso aos níveis anteriores à crise de crédito. O fraco crescimento em países como a Alemanha é, na realidade, sem criação de emprego e com base em pacotes de estímulo a curto prazo, como o esquema “dinheiro por ferro-velho”[i] e outras medidas específicas.
O quadro geral é de um mal-estar económico, com aumento das dívidas nacionais e desemprego crescente. Na verdade, a retirada das medidas de estímulo, que poderiam afastar as possibilidades de uma crise económica mais prolongada, nesta fase, poderé ser o gatilho para um mergulho ainda mais profundo.
Durante o debate, Danny Byrne informou que a Espanha prevê um retorno ao crescimento para 2011 e pretende retirar os pacotes de estímulo nessa altura – uma indicação de ataques maciços contra a classe trabalhadora. Mas o governo espanhol ainda tem de enfrentar os principais batalhões da classe trabalhadora do Estado Espanhol e há o potencial para enormes explosões nesta situação.
Os pacotes de estímulo foram introduzidos como reacções automáticas pelos governos para tentar evitar o colapso económico completo. Tony referiu que as nacionalizações no sector bancário não representam uma ruptura com as políticas neoliberais de privatização. O governo britânico anunciou a sua intenção de vender de qualquer parte rentável do sector bancário nacionalizado no primeiro momento possível. Incentivado pelas políticas anti-laborais das instituições da União Europeia (UE), os governos britânico e francês estão a continuar os planos de privatização dos serviços postais.
A Irlanda e a Espanha, até muito recentemente, as ‘Histórias de Sucesso’ da UE, enquanto o crescimento económico disparava, estão agora a enfrentar crises profundas. O governo irlandês está a contrair empréstimos semanais de € 500 milhões e os jovens espanhóis são confrontados com 38% de desemprego. Juntamente com Portugal, a Grécia e Europa Oriental, eles formam um “arco de instabilidade”. Numa dura advertência de que esta situação pode acontecer em qualquer outro país, metade dos hospitais na Letónia foram fechados e os salários do sector público foi reduzido em 40%, como o FMI a exigir medidas brutais em troca de um empréstimo de emergência.
Sem emprego e prespectivas
Por detrás dos números da Alemanha para o crescimento global nacional, os detalhes da situação traiem a perspectiva de problemas para o futuro, mesmo no curto prazo. Aron explicou que 30% das fábricas no sudoeste, uma área de produção industial, principalmente na indústria automóvel, irá cair na falência, descrevendo a situação como “Detroit a chegar Estugarda”[ii]. Existe na indústria automóvel um excesso de capacidade de produção, estimado entre 40-50%, mas as novas indústrias, como o sector de alta tecnologia também foram duramente atingidos.
Com países como a Islândia a falir, os elementos de instabilidade associados a muitas economias latino-americanas tinham vindo para a Europa. Estes elementos não só observáveis nas dramáticas mudanças no plano económico, mas também socialmente. Um retrato vivo da miséria que se está a abater sobre os trabalhadores e a juventude foi mostrado na descrição de uma faixa de terra nos arredores de Madrid, na Espanha, anteriormente um dos principais beneficiários do boom, onde se estebeleceu recentemente um bairro de lata. Os barões da droga exploraram 30.000 pessoas desesperadas por dia.
Cedric Gerome pintou um quadro devastador de Portugal, o “doente” da Europa. Trinta e cinco anos depois de ter conquistador a independência de Portugal, Angola vê agora imigrantes vindos da ex-potência colonial, com 60.000 a 100.000 portugueses a procura de trabalho na antiga colónia. Cerca de 92% dos portugueses vê as perspectivas económicas como más e a maioria está insatisfeitos com a vida.
Sascha da Alemanha descreve algumas das consequências psicológicas da recessão, com grandes aumentos no stress causado aos trabalhadores que sentem insegurança em relação aos postos de trabalho e salários. Uma onda de suicídios entre os funcionários da France Telecom e a simpatia generalizada face ao suicídio do guarda-redes da Seleção Alemã de Futebol estão entre os exemplos que ilustram a pressão que os povos sofrem.
Instabilidade
Nenhum governo europeu pode reivindicar uma estabilidade de longo prazo. É impossível falar de um governo estável ou forte. Alguns actualmente não enfrentam  uma alternativa séria e à falta de uma alternativa política da classe trabalhadora enfraquece o potencial de resistência e luta da classe operária e demais trabalhadores. No entanto, ao colocar o custo da crise sobre nos ombros dos trabalhadores e da juventude, os governos só irão aprofundar a crise e enfrentar a oposição de massa e as explosões sociais, num dado momento. O governo de Angela Merkel na Alemanha, foi recentemente reeleito, mas as frisuras no governo já se começam a mostrar. O novo ministro do trabalho, Franz Josef Jung, teve de renunciar face alegações de tentativas de encobrimento relacionadas com um ataque mortal aéreo da NATO no Afeganistão.
Na França, 64% da população acha que o governo de Nicolas Sarkozy está no caminho errado. Apesar da intervenção do Estado para socorrer os bancos, a direcção principal de sua administração foi uma continuação com um brutal programa neo-liberal. Alex de França descreveu a realidade de 60.000 novos desempregados à espera de ser processados nos centros de emprego, de uma crise de falta de professores e das greves gerais que se realizaram.
Mesmo na Rússia, onde Putin goza de 65% de apoio, há sinais de tensões crescentes. Igor, de Moscovo, descreveu a resistência à intervenção estatal do s patrões das grandes empresas e um potencial para se desenvolver uma divisão entre a elite dominante.
O “Mal Menor” é agora um recurso, com governos odiados a serem eleitos ou a manterem-se no poder com base em não serem tão odiados ou receados como outros partidos capitalistas. Na Grã-Bretanha, o New Labour, que é detestado, poderá não enfrentar um colapso total – simplesmente porque  os conservadores têm demonstrado intenção de realizar selváticos selvagem cortes sociais num curto espaço de tempo e também da memória que existe do odioso período de Thatcher -, mas não há diferença significativa entre as políticas dos dois partidos.
Um novo governo na Grécia foi eleito em Outubro de 2009. O PASOK, o partido social-democrata, foi eleito com base do ódio ao governo de direita e não com base do apoio popular às suas políticas. O outro lado da vitória PASOK foi a fraqueza da esquerda na Grécia, para responder à crise. Por demasiadas vezes os partidos de esquerda limitam as suas exigências e programa.
Com a mudança dos antigos partidos da social-democracia para a direita, na maioria dos países a classe trabalhadora enfrenta um enorme vácuo político. Onde novas formações políticas de esquerda foram lançadas, como com SYRIZA na Grécia, o Novo Partido Anti-capitalista (NPA – Nouveau Parti anticapitaliste) em França, e o Partido de Esquerda (Die Linke), na Alemanha, está-se a travar uma batalha para que estes sejam partidos combativos
O SYRIZA tinha-se tornado um real ponto de referência para a esquerda grega e, num dado momento, tiveram 18% nas sondagens, mas teve apenas 4,8% nas eleições europeias. Nikos da Grécia disse que o SYRIZA pagou pela sua incapacidade de desempenhar um papel activo nas lutas da classe trabalhadora e da juventude. Quando os movimentos de juventude, paralisaram o país, no final de 2008, o SYRIZA era o único que apoiava os jovens, mas não conseguiu empenhar-se activamente na luta e, como resultado, perdeu apoio. A direita de SYRIZA foi capaz de ganhar alguma influência. Mas os membros do CIT no SYRIZA participam no ‘Segunda Onda’, um bloco de esquerda dentro do SYRIZA, na tentativa de democratizar e reestruturar o partido e para colocá-lo numa posição mais política. O futuro do SYRIZA ainda não está decidido, mas vai depender da sua capacidade de orientação para as lutas que se avizinham.
O Novo Partido Anti-capitalista (NPA – Nouveau Parti Anticapitalist) também sofreu uma queda no apoio nas eleições europeias. Virginie da França afirmou que a resposta da liderança não foi envolver-se nas lutas dos trabalhadores e ganhar apoio, mas virar para a direita. A extensão dessa falta de confiança na luta pode ser vista no programa proposto pela NPA para as próximas eleições. Limita-se a colocar reivindicações aos governos regionais em vez de as colocar ao governo nacional – portanto, não levantando oposição real aos corte de empregos ou aos congelamento salarial que exigem uma intervenção por parte do governo nacional. Militantes do CIT participam agora numa alternativa de esquerda no NPA, defendendo um programa de luta.
Judy Beishon descreveu o processo que está em curso na Grã-Bretanha, no qual os componentes do “No2EU-Sim para a Democracia”, uma coligação eleitoral envolvendo um sindicato nacional, o sindicato dos trabalhadores dos transportes RMT, e que disputou as eleições europeias, estão a debater uma aliança de sindicalistas e socialistas para as próximas eleições gerais britânicas.
Sempre que os trabalhadores tenham uma alternativa de esquerda pode haver grande apoio para as políticas socialistas. Em Portugal um quinto do eleitorado votou para o Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Comunista (PC). Infelizmente, esses partidos correm agora o risco de minar o apoio para a esquerda e para o socialismo, ao não fazerem jus ao seu potencial. O Bloco de Esquerda concentra-se no plano eleitoral em detrimento de luta da classe trabalhadora. O Partido Comunista, apesar de ganhar 40% em algumas áreas industriais importantes, não usa sua posição para liderar comabitvamente as lutas.
O Die Linke (Partido de Esquerda), na Alemanha, tem tido algum sucesso eleitoral e tem sido capaz de cortar o crescimento da extrema-direita a nível nacional, mas também diminuiu seu anti-capitalismo em certa medida. Está agora colocada a questão da entrar coligações com partidos capitalistas. O Die Linke faria bem em estudar as lições que levaram à liquidação da Partido da Refundação Comunista (PRC), em Itália, onde a participação no governo capitalista e a administração de cortes sociais e ataques contra a classe trabalhadora no base do chamado “pragmatismo“, levou ao colapso quase total do partido. É agora necessário para os socialistas revolucionários na Itália reconstruam uma esquerda combativa e de massas. O CIT na Itália e apoiantes da Contra Corrente, em conjunto com activistas de esquerda sindical, irá participar de um debate numa das maiores federações sindicais da Itália, a CGIL, relativo a um documento apelando a um sindicalismo combativo e que foi apresentado pelo Sindicato dos Metalúrgicos.
Sectarismo e racismo
Na Escócia, o governo minoritário do Partido Nacionalista Escocês, (SNP), eleito em 2007, evocou a ideia de um arco de prosperidade, formado por Irlanda, Islândia e Noruega. Esta ideia está, agora, de alguma forma, ferida. Mas Philip, de Dundee, Escócia, previu que a eleição de um governo conservador, em Westminster podirá levar ao desenvolvimento de um forte aumento do sentimento pró independência.
Na ausência de partidos dos trabalhadores de massas e de lideranças comabtivas dos sindicatos, organizações de extrema-direita, sectárias e racista e foram capazes de ganhar espaço com as suas tácticas simplistas de tornar bodes expiatórios da crise os imigrantes e as minorias. Muitos dos principais partidos deram-lhes legitimidade, tomando para si aspectos do programa dos racistas.
Muitas cidades na Irlanda do Norte viram o desemprego duplicar, como Gary explicou, com um em cada três trabalhadores empregados directamente no sector público, isso deverá aumentar ainda mais após as eleições gerais, quando estão já anunciados grandes cortes sociais. A Fundação Joseph Rowntree estima que 50% das crianças na Irlanda do Norte vive abaixo da linha da pobreza. Houve um dramático aumento do sectarismo no terreno, com a violência a transbordar, neste momento, no centro da cidade de Belfast.
Na França, um debate sobre a “identidade nacional” dá uma oportunidade ideias dos racistas e da extrema-direita a serem discutidas. Existe um sentimento anti-muçulmano que levou a que um referendo sobre a questão dos minaretes, na Suíça, esteja a ser agitada partidos de extrema-direita e racistas na Dinamarca e na Áustria.
Na Itália, Berlusconi adoptou todo o programa da Liga do Norte neo-fascista e há grandes ataques contra imigrantes e sobre a classe trabalhadora em geral.
Que futuro para a UE?
As instituições da União Europeia estão sob enormes tensões devido à gravidade da crise económica. Entre 2007 e 2010, haverão oito milhões de pessoas desempregadas na zona Euro e PIB está previsto uma queda de 4% no PIB este ano.
Joe Higgins, deputado europeu e o Socialist Party na Irlanda foram capazes de tornar como questão central torno da votação sobre o Tratado de Lisboa na Irlanda do Sul, a questão das condições dos trabalhadores. Apesar de uma boa campanha do ‘Não’, o Tratado passou. Apesar desta “vitória” para os patrões europeus, a crise está a criar a possibilidade de países como a Grécia serem forçados a sair da zona do euro.
Andros, de Atenas, Grécia argumentou que pode revelar-se muito difícil para a Grécia permanecer dentro da zona do euro, dadas as limitações impostas pelas taxas de juro e as limitações dos governos para desvalorizar as suas moedas como medidas de curto prazo para evitar a crise. Mas Andros explicou também que o governo grego teria dificuldades deveria ser derrubado. Anteriormente, quando a economia grega estava numa situação desastrosa, o governo grego intimidou a classe operária a aceitar ataques contra as suas condições com a promessa que esses cortes feitos seriam compensados por verbas da EU o que seria a sua salvação. Isso não é mais possível. E se o governo grego decidir sair da zona do euro, já não poderá usar as exigências da legislação da UE como uma desculpa para fazer cortes ou privatização de serviços.
Um importante ponto de interrogação agora paira sobre a expansão da UE. Per-Åke da Suécia, que visitou recentemente a Letónia, descreveu a situação económica desastrosa do país. A Letónia passou de crescimento de 9% para uma queda de -18% e a taxa de desemprego oficial é de 19,7%. O FMI exige cortes drásticos em troca de um empréstimo. Dada aos protestos indignados que já ocorreram, o governo está hesitante, mas tem poucas opções. A moeda letã, o lat, está actualmente indexada ao euro, em preparação para a adesão à Zona Euro. No entanto, a adesão iria limitar as opções da Letónia para lidar com a crise e afastar a desvalorização.
Fases da luta
Tony descreveu como, na sua resposta à crise, a classe trabalhadora passou por diferentes fases. Houve, em muitos casos, um choque inicial, como o horror da crise económica foi sentida. Houve raiva, à medida que se tornou evidente quem iria sofrer e pagar os custos da crise. Houve grandes protestos de estudantes e pensionistas, na Irlanda, no final de 2008, e as greves e protestos dos trabalhadores do sector público este ano. No final de 2008, assistimos a movimentos de juventude na Grécia. Seções de trabalhadores, privados dos seus direitos e confrontado com nenhuma outra opção, tornaram claras a sua raiva e frustração. Às vezes, medidas desesperadas têm sido empregadas, como “o sequestro de patrões “, na França. Os trabalhadores em fábricas francesas geridas pela Sony, Caterpillar, 3M e fabricante alemão de peças para automóveis, Continental, tomarão como reféns os administradores, em protesto contra as propostas de despedimentos e encerramentos de fábricas. Em Vigo, na Galiza, Estado Espanhol, os metalúrgicos construíram barricadas e confrontaram-se com a polícia, defendendo o seu direito à manifestação e entrando em greve por aumentos salariais. Na França, os camionistas ameaçaram fazer explodir os seus camiões, quando enfrentam a possibilidade da sua empresa ser comprada por um patrão que impõe salários baixos.
Apesar disso, o desenvolvimento das lutas que tiveram lugar tem sido limitado, devido ao papel covarde dos líderes sindicais e à esperança, entre uma camada de trabalhadores, que a crise poderia ser temporária. No entanto, isso não vai durar, porque os efeitos da crise irão continuar a devastar e a aprofundar-se. Isso resultará numa nova fase da luta.
A participação dos jovens trabalhadores anteriormente desorganizados também tem sido uma característica das lutas, como os trabalhadores que ocuparam a fábrica de aerogeradores Vestas na Ilha de Wight, Inglaterra, e os agentes de viagens da Thomas Cooke, em Dublin, na Irlanda. Também tem havido movimentos estudantis na Áustria e na Alemanha, que seguem as ocupações de universidades e protestos estudantis de 2008 na Espanha, na Grécia e na Itália. Na Alemanha, alguns dos slogans dos estudantes têm um carácter de classe: “pais ricos para todos!” Mas, na ausência de luta de liderança, um sentido de fatalismo pode ser percebido entre os 5.000 estudantes que protestaram contra as crescentes propinas na Letónia, com uma faixa com os dizeres: “O último aluno a sair vai apagar a luz do aeroporto”!
Na França, os estudantes entraram em luta e ainda não foram derrotados.
Tem havido uma certa demora em termos de uma resposta generalizada, já que os trabalhadores têm tido esperança que as coisas vão voltar ao “normal” e que esta crise económica é apenas um problema temporário. Evidentemente, essa esperança equivocada é reforçada por relatos de recuperação económica promovida pelos governos, desesperados, para evitar enfrentar lutas de massas dos trabalhadores.
Judy informou sobre o aumento acentuado na luta operária e grevista na Grã-Bretanha. Os trabalhadores foram forçados a tomar medidas para defender os seus direitos, mesmo quando os dirigentes sindicais não os apoiaram, e tem havido uma série de ocupações e greves, algumas das quais ignorando as brutais anti-leis sindicais.
Períodos de teste para lideranças sindicais
Os dirigentes sindicais irlandeses enfrentam um severo teste com o governo irlandês a anunciar cortes de 4 mil milhões € no orçamento. Após duas décadas de “parceria” entre os sindicatos e o governo irlandês, os dirigentes sindicais e as estruturas estão mal equipados para a batalha épica em defenda dos seus membros atingidos pelos ataques. Os trabalhadores irlandeses mostraram a sua profunda revolta e seu o desejo de acção com a participação maciça dos trabalhadores do sector público nas greves e manifestações que tiveram lugar até agora. Mas agora os dirigentes sindicais venderam-nos. Na verdade, até propuseram em “nome dos trabalhadores”, doze dias de férias não remuneradas – um corte de pagamento de uma forma ligeiramente diferente!
Mas não é só na Irlanda, onde os dirigentes sindicais agem de forma omissa e hesitante. A necessidade de organizações da classe trabalhadora que estejam à altura das necessidades neste período de ofensiva contra os padrões de vida dos trabalhadores é uma das tarefas agora colocadas.
Joe Higgins, deputado europeu do Socialist Party da Irlanda, descreveu a preferência de muitos líderes sindicais em tentar um acordo com os patrões. Mas, como Joe advertiu com uma citação do grande marxista irlandês, James Connolly: “a timidez no escravo induz a audácia do tirano”! A experiência tem demonstrado que onde os trabalhadores aceitam qualquer redução na remuneração e condições, os patrões irão exigir ainda mais.
Na Alemanha, onde nove milhões de trabalhadores estarão em processos de negociações salariais do próximo ano, os líderes sindicais metalúrgicos estão a propor uma semana de trabalho mais curta, com perda de remuneração como a única alternativa aos cortes de empregos. O CIT exige uma semana de trabalho mais curta, mas sem perda de remuneração, como um aspecto de um programa contra o desemprego em massa. O CIT propõe uma estratégia de defesa dos salários e condições de trabalho.
Els da Bélgica, informou sobre a luta dos trabalhadores da indústria química Bayer, em Antuérpia. Estes trabalhadores foram ameaçados com um congelamento de salários de quatro anos e uma tentativa de prolongar a semana de trabalho. Um membro do CIT está em uma posição de liderança no sindicato dos trabalhadores da Bayer e ganhou o apoio à posição de que os trabalhadores não aceitaram “nem um minuto a mais do dia, nem um centavo a menos no salário”. A luta foi-se ampliando e ganhou o apoio de toda a indústria química em Antuérpia e, por fim, da direcção do sindicato.
Não há retorno ao ‘normal’
Na conclusão dos debates sobre a Europa, Niall Mulholland do Secretariado Internacional do CIT, salientou que ainda estamos na primeira fase da crise e das suas consequências e seria um erro pensar que as coisas continuarão como estão.
A ressaca do colapso do estalinismo e o impacto que teve na consciência de massa ainda estão para ser superados, tal como o papel de bloqueio desempenhado por muitos líderes sindicais.
As sondagens feitas no último ano mostraram que, apesar Tony Blair e outros como eles tentarem fazer passar que os trabalhadores são a “classe média”, eles estão cada vez mais conscientes de sua posição de classe na sociedade. Amplos sectores da classe média também estão também a ser martelados pela crise, com, por exemplo, milhares de advogados a perderem os seus empregos na cidade financeira de Londres, a City.
Embora a consciência de classe ainda tem um longo caminho para se desenvolver, o debate mostrou a preparação de grandes secções da classe trabalhadora para lutar contra os ataques que eles enfrentam. Quando a espera prolongada por um regresso ao ‘normal’ desaparecer e uma maior compreensão do futuro, sem emprego e sem perspectivas se enraizar, as lutas de massa e a oposição ao capitalismo irão crescer.
Nikos, da Grécia relatou os movimentos da juventude no final de 2008. Eles foram desencadeados pelo assassinato de um adolescente pela polícia, mas as razões eram as condições de vida dos jovens no trabalho e no ensino. Embora o desemprego e muitos trabalhos a tempo parcial e precário sejam extremos na Grécia, com 25% de desemprego, as condições dos jovens em toda a Europa estão similares e o surgimento de movimentos similares é cada vez mais possível. Na Irlanda, um quarto dos que vivem do subsídio de desemprego tem menos de 23 anos de idade. Isso ainda não provocou a oposição e os protestos em massa, mas as campanhas, como a Youth Fight for Jobs (Juventude em Luta por Trabalho) irá fornecer um veículo para que os jovens se interliguem e organizem e partam para a luta.
Joe Higgins sublinhou que agora, quando os movimentos da classe trabalhadora ocorrem, o programa de luta de classes e por uma alternativa socialista do CIT toma um significado mais concreto para a população trabalhadora e da juventude e ganha um eco muito maior.
O CIT irá desempenhar um papel importante no processo de radicalização dos trabalhadores e da juventude, com, por exemplo, Joe Higgins, no Parlamento Europeu, os vereadores do CIT em alguns países europeus e com a ênfase que o CIT coloca na luta de massas, através do nossos trabalho nos novos partidos de esquerda e nos sindicatos.
À medida que mais e mais pessoas em toda a Europa tirarem a conclusão de que outra forma de organização da sociedade é necessária para acabar com o desperdício e o caos do capitalismo, aumentará o número de trabalhadores e jovens que procuraram uma Alternativa Socialista.


Tempo ao tempo....


FALANDO sério as vezes Deus nos testa, não é mesmo? Em quantos momentos você ficou rezando para as coisas se concretizassem logo em sua vida? Por vezes é difícil mesmo esperar, ainda mais em um mundo onde o tal "tempo" é tão escasso. As 24h do dia têm sido poucas para abarcar todas as nossas atividades. Neste contexto é mais que óbvio que tenhamos esta sede de agilidade. Talvez você imagine o que vai te acontecer, mas tenho certeza que não fazes ideia de como isso se dará. Afinal de contas, " Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou.
PARA QUEM É AFLITO OU SOFRE DA MESMA COMPADEÇÊNCIA.
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;

Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?

Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar.

Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.

Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;

E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.

Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.

O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.

Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade.

Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra.

Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais.

Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.

Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.

Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?

Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?
Eclesiastes 3:1-22
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;

Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?

Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar.

Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.

Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;

E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.

Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.

O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.

Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade.

Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra.

Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais.

Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.

Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.

Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?

Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?
Eclesiastes 3:1-22

1 Debaixo do céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa: 2 Tempo para nascer e tempo para morrer. Tempo para plantar e tempo para arrancar a planta. 3 Tempo para matar e tempo para curar. Tempo para destruir e tempo para construir. 4 Tempo para chorar e tempo para rir. Tempo para gemer e tempo para bailar. 5 Tempo para atirar pedras e tempo para recolher pedras. Tempo para abraçar e tempo para se separar. 6 Tempo para procurar e tempo para perder. Tempo para guardar e tempo para jogar fora. 7 Tempo para rasgar e tempo para costurar. Tempo para calar e tempo para falar. 8 Tempo para amar e tempo para odiar. Tempo para a guerra e tempo para a paz. (Eclesiastes 3. 1-8 – EP)
Você deve ter pensado em algum momento: “preciso de tempo pra mim”. O marido ou a mulher cobra de seu cônjuge tempo para o casamento. Os filhos precisam de tempo dos pais. O tempo parece petróleo, cada vez mais escasso e caro. Num roldão de compromissos que nos tangem daqui para lá, percebemos cada vez mais a dificuldade de botar um cabresto no tempo para cumprir obrigações, lazer, estudo, trabalho, convivência com familiares e amigos. A sensação nítida é que dias de 24 horas, por alguma arte sabe-se lá de quê, diminuem com o passar dos anos.
Mas, “Debaixo do céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa”, diz o escritor do livro de Eclesiastes. Em treze expressões antinômicas ele afirma que cada coisa importante tem que ter seu próprio tempo.
Certo, você diria, mas ele viveu, se considerarmos Salomão como o autor, quase mil anos antes de Cristo, que pode nos dizer a nós da era cibernética? Se você quer um guia detalhado de regras ele não dirá nada, mas se quer princípios, o autor estabelece algumas coisas interessantes que destaco aqui.
1. Cada coisa deve ser feita de forma inteira e completa em seu momento. Começou algo, termine. Se perdermos esta perspectiva, haverá sempre a percepção de que nosso trabalho, nossa vida está em aberto, sem conclusão. Finalizar um ato permite-nos avaliar, descobrir erros, melhorar, aprender, aperfeiçoar.
2. Os atos acontecem um após o outro, portanto, não são síncronos pelo simples fato de que não se pode abolir o tempo que escoa um nanossegundo após o outro. Não somos polvos que tem oito braços. Sim, exigências atuais pedem dez coisas simultâneas, mas se bem pensarmos pode-se lhes dar uma seqüência, estabelecer prioridades. O paradigma moderno é ser multitarefeiro, até pode ser, mas a cobrança ou a pressa em fazer, boa parte das vezes, é interna. Rapidez não significa concomitante. Quando analisamos nossas ações ao longo de um dia o que se percebe não é falta de tempo, mas de planejamento e organização.
3. Cada coisa é passageira, portanto, nunca deve receber o status de algo permanente como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo. O que nasce morre. O que é plantado, um dia será arrancado. As coisas são feitas de ciclos, se petrificam perdem o sentido. Assim você não deve ser o mesmo a vida inteira, porque nem que você diga que é e até lute por esta estabilidade neurótica, será verdade.
4. Os principais atos de nossa vida têm grande carga emocional. Por causa disso eles precisam ser esgotados em si mesmos. Significa que não posso ficar triste e alegre ao mesmo tempo, pela mesma coisa, quando isso diz respeito a mim. As coisas têm sempre lados positivos e negativos, mas se somos emocionalmente ambivalentes em relação a elas, paralisamos. Se há tempo de chorar e de rir, de bailar e de gemer (ver 4) entregar-me-ei inteiro a isso naquele instante. Não bailarei gemendo de angústia, não chorarei rindo. Cada uma destas situações são importantes e devem ser vivenciadas até a última gota. Ressalvo que não defendo que se deve entregar à tristeza ou ao riso como se nada mais existisse, mas que, em seu momento, fique triste ou alegre até que a emoção se esgote e não se cobre porque está desse jeito e não daquele.
5. O autor de Eclesiastes, ao colocar as frases em forma de opostos, quer dizer que a vida é feita de elementos bons e ruins e que isso é natural. Mas hoje se vive em busca de felicidade permanente, a não dificuldade, como se isso fosse possível. Há quem se torne tão escravo deste princípio que mesmo em meio ao caos pessoal, prefere dizer palavras de efeito, ser assertivo e dizer que vai dar certo sem que qualquer dessas atitudes tenha coerência com os fatos ou mesmo com as ações de quem fala. Isso não é positividade, é auto-engano.
6. Não se deve perder a perspectiva de que nada permanece. Somos transitórios com pretensões de eternidade. Há tempo de guardar e de jogar fora. Mas adiamos ad infinitum este último momento. Uns mais que outros. Somos compulsivos em acumular. Que sofrimento é desfazer-se, desapegar-se. Quantas gavetas recheadas de papéis, cartas antigas que revivem emoções que não nos dizem mais nada ou sim, nos trazem dores velhas esquecidas às quais se trata com veneração como se fossem parte de nossa existência ou na qual ficamos viciados. Há de ter um dia e hora de um “bota-fora”.
7. Buscas desesperadas ou incessantes precisam de seu dia de esquecer. O que se perdeu, uma hora, não deve mais ser buscado. Uma hora algo (ou muitas coisas e pessoas) devem ser deixados para trás para que se possa prosseguir. Não se trata de entregar os pontos, mas de saúde emocional para si. Entender que o que foi perdido talvez nunca mais será achado e deve ser assim, porque outra coisa ou pessoa serão encontrados, não para ocupar o lugar, mas para ser outra experiência-vivência. Não desistir de algumas coisas, pode até parecer de acordo com algo valorizado neste mundo, mas tentar revivê-las, reconstruí-las, pode ser decepcionante e quase sempre é, porque os elementos ali postos não são mais os mesmos, nem você serÁ.....

Cada macaco no seu galho...

"Família é pra essas coisas" é um tema perigoso, pois permite que nossa privacidade seja devassada, criando situações embaraçosas e impedindo uma relação mais sadia e madura.
Somos educados para distinguir muito claramente os parentes dos amigos e das pessoas em geral. Desde crianças, aprendemos que a família é composta por criaturas sui generis que terão conosco um nível de relacionamento especial, governado por um código próprio, diferente daquele que empregamos no trato com estranhos.
Com esses últimos, temos um relacionamento cordial e mais formal, respeitoso e que pressupõe reciprocidade nas atitudes. Por isso, nos ofendemos rapidamente quando somos invadidos em nossa privacidade. Detestamos nos sentir explorados e reagimos com veemência frente a intromissões indevidas.
A tolerância com desconhecidos é relativa e tendemos a evitar novos contatos com aqueles que não agem adequadamente. Às vezes, chegamos a brigar feio: outras vezes, apenas nos afastamos. Tudo depende do temperamento, da situação e também do tipo de pessoa com a qual nos indispomos.
Fomos educados para "não levar desaforo para casa".A coisa é completamente diferente quando a gente se relaciona com parentes, especialmente os mais próximos. Pais, avós, irmãos, filhos, primos e tios diretos, todos se sentem à vontade para falar o que pensam a nosso respeito. Fazem isso sem inibições e, pior, sem ser consultados.
A invasão seria absolutamente intolerável se viesse de estranhos ou mesmo de amigos. No entanto, essa devassa à nossa privacidade passa a ser considerada uma "obrigação" do grupo familiar. Ai de nós, se ficarmos ofendidos! Não faltarão recriminações do gênero: "se estou te dizendo essas coisas, é para o seu bem. Sou sua mãe e me sinto com o direito de falar tudo o que eu penso, porque é óbvio que te amo".
Há variantes com igual intenção e significado, mudando apenas o grau de parentesco.Em primeiro lugar, não é tão óbvio que a emoção predominante entre parentes seja o amor. Penso que, em muitos casos, a rivalidade e a inveja predominam entre irmãos, por exemplo, sentimentos positivos são abafados por uma relação tumultuada e por disputas de todo os tipo.
Até no "começo dos tempos" tivemos problemas: os dois primeiros irmãos foram Caim e Abel e um matou o outro. Rivalidade e inveja também imperam nas ligações entre pais e filhos, entre mães e filhas. Na maioria das vezes, o amor existe, mas não é a única emoção. Portanto, é arbitrário dizer que os laços que unem os parentes sejam sempre positivos e construtivos. Não ousaria afirmar isso nem mesmo em relação à minha mãe ou ao meu filho.
Aliás, as mais importantes descobertas de Freud, tem a ver com a descaracterização do mito segundo o qual a família é um santuário das melhores e mais belas emoções. Mas um aspecto comum entre parentes diz respeito à facilidade com que uns exigem coisas dos outros. Se nos falta dinheiro e temos que pedir emprestada uma certa quantia para um "estranho", a dificuldade que sentimos é enorme.
Agora, se for parente, não experimentamos o mínimo escrúpulo. E se tiver mais dinheiro do que a gente, chegamos a pensar que será "obrigação sua" nos tirar da condição precária na qual nos encontramos. Sim, porque "parente é pra essas coisas". É "óbvio" que pais mais ricos deverão ajudar o filho. Quando a situação se inverte, este manterá pais, avós, além de alguma tia solteirona...
Não me parece nada tão claro nem tão óbvio. Acredito mesmo que tais regras - diferente das que orientam as relações em geral - foram criadas por pessoas oportunistas e, portanto, fracas e egoístas. Sua finalidade é comover os parentes mais generosos e transformá-los em provedores de tudo o que lhes falta.
É mais fácil e, à primeira vista, mais esperto tirar dos outros o que não se conseguiu por esforço próprio." Com os parentes não é preciso ter cerimônia." Também não concordo com essa afirmação. Ofender, brigar e depois fazer as pazes afeta qualquer relação. Deveríamos tratar com cuidados redobrados justamente as criaturas que nos são mais próximas então diante disso eu digo CUIDADO!! Amar é algo mágico, o sentimento mais puro eterno e incondicional, poucas criaturas humanas conseguiram ou conseguirão desenvolver este sentimento. Não se preocupe ainda não chegamos nesse patamar evolutivo. Portanto gostar ou não gostar não é a questão, TEMOS QUE RESPEITAR.....